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Pastoral da Saúde Mental em Teresina promove escuta a quem necessita

Em sintonia com o pedido do Papa, iniciativa em Teresina oferece acolhimento psicológico, rodas de conversa e orientação a pessoas com sofrimento emocional Cont...

Pastoral da Saúde Mental em Teresina promove escuta a quem necessita
Pastoral da Saúde Mental em Teresina promove escuta a quem necessita (Foto: Reprodução)

Em sintonia com o pedido do Papa, iniciativa em Teresina oferece acolhimento psicológico, rodas de conversa e orientação a pessoas com sofrimento emocional

Thiago Coutinho
Da redação

Em outubro, o Santo Padre pediu atenção para a saúde mental / Foto: Nik Shuliahin por Unsplash

Neste mês de outubro, em sua tradicional intenção de oração, o Papa Leão XIV chamou a atenção dos fiéis para a saúde mental. O Pontífice clamou para que igrejas, dioceses e todo o corpo eclesiástico busquem implementar uma pastoral dedicada à saúde mental.

Um exemplo vivo desse pedido do Santo Padre pode ser encontrado na Pastoral da Saúde Mental na Igreja de São José do Lar de Misericórdia em Teresina (PI). A pastoral tem atuado para combater o preconceito e a estigmatização do sofrimento psíquico dentro da comunidade eclesial.

“A dignidade do ser humano não depende do estado de saúde, do humor ou de um diagnóstico. A pessoa que vive um transtorno mental não é ‘menos pessoa’ — continua sendo filha amada de Deus”, afirma Carlos Henrique de Aragão Neto, psicólogo e psicoterapeuta, coordenador da pastoral. 

O psicólogo recorda que, no Concílio Vaticano II, na Gaudium et Spes (do latim ‘Alegria e Esperança’, a Constituição Pastoral sobre a Igreja no Mundo de Nosso Tempo), esse conceito de que o sofrimento psíquico é “falta de fé” já era combatido. “O Papa Francisco compara a Igreja a um hospital de campanha — primeiro se curam as feridas. Na comunidade de São José, temos procurado traduzir isso em ações concretas, desmistificando o adoecimento mental e emocional, especialmente problemas como depressão e ansiedade, vazio existencial e perda de sentido. Temos em nosso padroeiro o modelo: São José, homem justo, que acolheu o mistério da vida no silêncio e protegeu os frágeis. Quando a comunidade entende que a fragilidade não desqualifica ninguém, o preconceito perde potência”, detalha.

Projetos práticos

A Pastoral da Saúde já desenvolve em Teresina alguns projetos para acolher pessoas que enfrentam quadros de ansiedade, depressão e outras patologias mentais.

“A Pastoral da Saúde Mental de São José está estruturada em três núcleos que se complementam”, detalha Carlos Henrique. O primeiro, segundo o especialista, é o núcleo de escuta, que é formado por psicólogos e psiquiatras voluntários. “E aqui frisamos sempre: a pastoral não tem como objetivo realizar tratamentos de saúde mental. Todavia, quem nos procura encontra um espaço seguro para ser ouvido com respeito e sem julgamento — e, quando o sofrimento exige cuidado clínico, a pessoa sai de lá com um encaminhamento concreto. Para isso, dispomos de um panfleto com os serviços públicos e alguns privados da região, para que ninguém fique sem um caminho de cuidado”.

O funcionamento do núcleo é bem organizado: por meio de um número de WhatsApp ou pelo QR code disponibilizado nas redes sociais e na igreja, uma secretária recebe esses pedidos e cruza cada um com a grade de voluntários — dias, horários e disponibilidade — para encontrar o profissional que melhor corresponde à necessidade de quem procurou pelo serviço. “É um trabalho de encaixe: o pedido de cada pessoa encontra o voluntário disponível”.

O segundo é o núcleo de informação. Nele, são promovidas rodas de conversa e palestras sobre saúde mental. “É a nossa frente de conscientização: desmistificar o sofrimento psíquico, levar informação de qualidade e colocar o tema no centro da vida da comunidade — que é justamente o antídoto contra o preconceito”, afirma o coordenador da Pastoral.

Por fim, há o núcleo de visitas domiciliares. Este só entrará em funcionamento em 2027. “Voluntários — também psicólogos e psiquiatras — irão até as pessoas que, por limitações de mobilidade, não conseguem vir até nós. É levar o acolhimento até a porta de quem não pode sair de casa”.

A medicina não pode ser substituída

A Igreja reforça que o cuidado pastoral não substitui a medicina nem a psicologia. “A graça não dispensa os tratamentos de saúde mental, inclusive remédios”, adverte o psicólogo Carlos Henrique. “Corpo, alma e espírito formam uma só unidade: oração não substitui psicólogo nem psiquiatra, e o cuidado clínico não substitui a vida espiritual. Eles se complementam”, acrescenta.

“Na prática, a pastoral funciona como uma ponte”, prossegue o coordenador da pastoral. “Quando alguém procura o acolhimento, escutamos com atenção e discernimento; identificando questões que exigem cuidados clínicos, encaminhamos para os serviços públicos e profissionais da região”.

Quando as situações de crise são mais severas e incluem risco de vida, os pacientes são encaminhados para os serviços especializados (como CAPS, SAMU etc.). “Claro, em paralelo, sugerimos acompanhamento espiritual com os sacerdotes e diáconos da Igreja. O agente pastoral não é terapeuta e não faz diagnóstico — ele é o elo que garante que ninguém fique só e obtenha o conforto espiritual, tão necessário em momentos assim”, afirma.

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