Santa Sé na ONU: o desarmamento não pode ser adiado
Dom El Kassis interveio nos debates da 81ª Assembleia Geral e apelou por um instrumento que regulamente o desenvolvimento e o uso da inteligência artificial Con...
Dom El Kassis interveio nos debates da 81ª Assembleia Geral e apelou por um instrumento que regulamente o desenvolvimento e o uso da inteligência artificial
Da redação, com Vatican News
A 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York / Foto: Mike Segar – Reuters
O desarmamento não pode mais ser adiado. Foi o que reiterou nesta quarta-feira, 14 de outubro, dom Christophe Z. El Kassis, Observador Permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas, ao intervir no âmbito da 81ª Assembleia Geral da ONU, durante a qual também apresentou estratégias fundamentais para buscar a erradicação da fome no mundo.
O rearmamento não garante a paz
Em um momento histórico no qual “os conflitos e as divisões estão envenenando as relações internacionais” e “a confiança e o diálogo estão enfraquecendo”, o desarmamento está submetido a pressões cada vez maiores, observou o representante vaticano. Dom Christophe destacou que esse caminho não pode constituir uma base duradoura para a paz, pois retira recursos do desenvolvimento humano integral. O problema é que são os mais vulneráveis que sofrem as consequências mais graves dos conflitos. “É preciso resistir à tentação de aceitar a guerra como inevitável ou de considerar o rearmamento como um requisito para a manutenção da paz, assim como à tentação de acreditar que não existam alternativas à guerra”, afirmou o prelado, citando Leão XIV, que conclama a realizar “esforços criativos” para fazer avançar a paz. El Kassis fez-se porta-voz do apelo da Santa Sé em favor de um instrumento “juridicamente vinculante que estabeleça proibições claras relativas aos sistemas de armas autônomas letais (LAWS), regulamente o desenvolvimento e o uso da inteligência artificial e garanta a responsabilização e uma sólida proteção dos civis e das infraestruturas necessárias à sua sobrevivência”. O representante vaticano reiterou, de fato, que o progresso tecnológico deve estar sempre a serviço da pessoa humana e do bem comum e “jamais deve diminuir a responsabilidade moral que acompanha as decisões relativas à vida humana”.
Desarmamento não pode mais ser adiado
Além disso, a Santa Sé pede que sejam respeitados os compromissos internacionais já existentes, especialmente no que diz respeito à renovada implementação do artigo VI do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP). Em sua intervenção no debate das Nações Unidas, El Kassis expressou, em nome da Santa Sé, apoio ao Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares (TPNW) como instrumento complementar para o cumprimento dessas obrigações. Também foi considerada uma prioridade urgente, trinta anos após sua adoção, a entrada em vigor do Tratado de Proibição Completa dos Testes Nucleares (CTBT), assim como a necessidade de enfrentar o impacto devastador das chamadas armas convencionais, como as minas, cujo uso impõe aos civis “um fardo intolerável”. Em relação à crescente militarização do espaço, a Santa Sé encoraja a renovação dos esforços para impedi-la. “O desarmamento não é uma aspiração abstrata”, afirmou dom Christophe. “Não pode ser adiado à espera de circunstâncias mais favoráveis.”
Mais recursos para combater a pobreza e a insegurança alimentar
No centro do compromisso comum para alcançar o desenvolvimento sustentável, acrescentou o Observador do Vaticano em outro debate, deve permanecer a erradicação da pobreza, que gera fome e desnutrição. Foi destacado o paradoxo central de que, apesar de se produzir alimento suficiente para alimentar toda a população mundial, esses flagelos continuam sendo uma realidade cotidiana para muitas pessoas. Por isso, não se trata apenas de aumentar a produção, mas de agir sobre as causas do problema, enfrentando os obstáculos que impedem as pessoas de ter acesso a alimentos suficientes, a preços acessíveis e nutritivos. Conflitos, mudanças climáticas, estruturas econômicas injustas e infraestruturas inadequadas estão entre os fatores que não oferecem as condições necessárias, especialmente aos pequenos agricultores. “É essencial”, concluiu El Kassis, “que a comunidade internacional coloque a dignidade humana no centro de sua atuação. Isso significa transformar os compromissos relativos à erradicação da pobreza e à segurança alimentar em vontade política e destinar os recursos necessários para chegar aos mais necessitados.”
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